terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

 A sua filha ia hoje lindíssima, vestida de princesa, disfarce do qual a maioria das meninas gosta de usar no Carnaval. De repente a mãe começou a pensar no futuro, no ano em que ela deixaria de querer vir vestida assim e depois no ano em que deixasse de acreditar na inocência da vida e na magia das coisas. As suas cogitações foram interrompidas pela interpelação da filha:
-Mãe, é verdade que os quase todos os adultos não se mascaram porque deixaram de achar piada ao Carnaval?
-Hum, parece-me que também é por causa disso, mas acima de tudo penso que os adultos passam o ano todo a fingir que são outras pessoas, por isso já não sentem que é preciso mascararem-se nesta altura...
-Não entendi, mãe...
-Pensa assim: no fundo os adultos são como actores, a partir de uma dada altura da vida passam a representar um papel, a agir de acordo com o que acham que as outras pessoas querem de si.
-Tu também és assim mãe?
-Às vezes também sou, mas tento sempre não ser.
-Pois olha, eu digo-te já, quando for grande não vou ser como esses adultos esquisitos!
A mãe olhou para a filha, e entristeceram-se os seus olhos:
-Um dia vais perceber, filha, que por mais que lutes para te desprender das correntes, elas manter-te-ão sempre agarrada ao lado de dentro da caverna.
Nada mais a filha disse. E a mãe não saberia que apesar de neste momento não as ter percebido, a filha nunca mais se esqueceria destas palavras.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Cada vez mais percebo menos o sentido das coisas.

domingo, 27 de novembro de 2011

Hoje deixo por uns tempos de escrever

Volto a escrever no mesmo computador onde comecei. Curiosamente hoje o meu portátil está com algum problema. Não sei se isso será algum sinal, pois é engraçado eu voltar a escrever no computador fixo onde comecei este blog.

Vou deixar por uns tempos de escrever. Preciso de pensar até que ponto devo colocar aqui aquilo que penso ser, bem como alguns momentos que tocam no mais fundo de mim. Agradeço às pessoas que casualmente leram aqui algum texto, e espero que as tenha ajudado a esclarecer as suas dúvidas. Agradeço às três pessoas que deixaram aqui comentários, em especial a uma que desde o princípio me seguiu, e que deixou aqui mensagens que me incentivaram bastante a continuar, obrigado, especialmente a ti, A.

Gostaria de deixar uma frase que me tenha marcado, e veio-me logo esta à cabeça, aquela que Jesus disse a Tomé: "Tomé, tu acreditaste porque viste; feliz de quem acredita sem ver". Penso de não preciso de acrescentar mais nada, só se acredita verdadeiramente quando parece que não há razões para isso.

Acreditemos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

-Consegues ver-me?
-Hoje trazes uma roupa bonita, o cabelo...
-Não, eu perguntei se conseguias ver-me, estás só a dizer aquilo que observas.
(Deram as mãos)
-Não percebo o que queres dizer...
(Por momentos ficaram a olhar um para o outro, em silêncio. Mesmo sem falar, sentiu que naquele momento a ilha que cada um de nós é desaparece, que aqueles olhos conseguiam ver algo fundo de si, e a solidão abandonou o seu coração)
-Está tudo bem?
-Sim. Tu vês-me.
(Colocou-lhe o braço no ombro, e ficaram ali, dois corpos, uma só pessoa)