É aqui que os sonhos começam. Foi aqui que muitos homens, olhando a abóbada celestial, obtiam resposta para as suas dúvidas, consolo para as suas mágoas. Preciso de voltar a olhar as estrelas todos os dias. Preciso de voltar ao tempo em que vinha cá fora e ficava em Silêncio com o mundo, sentindo uma espécie de espanto, de maravilha perante o milagre na vida. Mas não basta querer: há alturas em que, por mais que queiramos, por mais que desejemos com todas as forças, aquilo que se sentia não regressa, perde-se na memória, lança-se no esquecimento.
Também é aqui que os sonhos acabam. Mas não acabam porque desaparecem, acabam porque se misturam com a realidade, porque tudo de repente parece ser possível. É aqui que se vê quem acredita, quem olha as estrelas cadentes como um rasto luminoso mágico efémero, ou quem vislumbra somente o resultado do atrito da atmosfera perante fragmentos vindo do espaço.
Quero ficar assim para sempre, como uma criança no baloiço, ouvindo o leve ranger das correntes enferrujadas e gastas, sentindo a doce oscilação, resultado da brisa e do baloiçar das pernas. Dêem-me esperança. Dêem-me força. Dêem-me de volta quem sou. Talvez fosse isto que pedisse enquanto observava o rasto luminoso quase instantâneo. A lua, que vai engordando, assiste tranquila a este espectáculo.
Para o fim fica a melhor estrela: a mais luminosa, um rasto largo, seguro, um percurso não muito longo, mas marcante, se é que podemos utilizar este adjectivo para uma existência mínima. Neste momento não penso em nada, já não quero nada, procuro apreciar o momento, guardá-lo. Sorrio perante a fantasia que flutua no ar, neste momento em que cada lágrima é uma estrela cadente.
sábado, 8 de outubro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
VII
Feliz o homem que perdeu a esperança,
Mesmo nunca tendo existindo algum.
Lídia, vejamos como o rio flui,
Não queiramos mudar-lhe o rumo.
Não esperes nada do novo dia.
Coloca-te sempre no fundo da escada.
Assim um raio de sol por entre as nuvens
Será a tua única felicidade.
Lídia, esqueçamos o futuro,
Não desejemos o passado.
Vivamos só o presente,
Sejamos puros e inocentes.
Vivamos cada segundo atrás de segundo,
Numa linha fina e invisível
Tecida pelas mãos atrozes do Tempo.
Algures entre a realidade e o sonho.
Mesmo nunca tendo existindo algum.
Lídia, vejamos como o rio flui,
Não queiramos mudar-lhe o rumo.
Não esperes nada do novo dia.
Coloca-te sempre no fundo da escada.
Assim um raio de sol por entre as nuvens
Será a tua única felicidade.
Lídia, esqueçamos o futuro,
Não desejemos o passado.
Vivamos só o presente,
Sejamos puros e inocentes.
Vivamos cada segundo atrás de segundo,
Numa linha fina e invisível
Tecida pelas mãos atrozes do Tempo.
Algures entre a realidade e o sonho.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
VI
Dêem-nos o privilégio de acreditar em nada.
Concedam-nos a mordomia de nada querer.
Deixem as crianças brincar enquanto podem.
Não há nada que o mundo queira mais.
Sozinhos, Lídia, durmamos.
Os deuses que assim nos deixem,
Neste momento em que temos tudo.
Mas continuaremos a precisar de algo mais.
Concedam-nos a mordomia de nada querer.
Deixem as crianças brincar enquanto podem.
Não há nada que o mundo queira mais.
Sozinhos, Lídia, durmamos.
Os deuses que assim nos deixem,
Neste momento em que temos tudo.
Mas continuaremos a precisar de algo mais.
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